Informação técnica

Produção

Preparação do Terreno:
O solo deve ser preparado durante o Verão antes de se efectuar a plantação, retirando todas as ervas daninhas existentes no terreno como prioridade. Após a destruição das ervas daninhas deve ser efectuada uma lavoura, seguida de correcção orgânica (explicada a seguir), com posterior gradagem para regularizar o terreno e torná-lo mais solto. Se a área de plantação possui uma boa drenagem, a plantação pode ser feita após o solo ser nivelado. Por outro lado, se o solo não possui uma boa drenagem que remova o excesso de água após chuvadas fortes, devem-se criar camalhões. A posição das plantas pode ser marcada e se o solo for deficiente em matéria orgânica, turfa ou agulhas de pinheiro podem ser introduzidas no solo a uma profundidade de 10 a 15 cm, ao longo das linhas de plantação, e com uma altura de 15 cm, que irá proporcionar às raízes das novas plantas um bom ambiente para se desenvolverem. Para além desta preparação deve-se ter em conta a necessidade de acidificação do solo recorrendo ao enxofre. Para que a correcção do solo e aplicação de enxofre seja o mais correcta possível, deve-se fazer análises de solo para se saber as quantidades mais adequadas a aplicar. Após feita a primeira análise antes da plantação, as análises de solo devem-se repetir todos os 3 ou quatro anos.  

Fertilização de Fundo:
Esta deve ser planeada conforme os resultados da análise de solo realizada. Os adubos fosfatados e potássicos devem ser aplicados em toda a área, preferencialmente a lanço e incorporados a 20 cm de profundidade. A aplicação de azoto deve ser efectuada quando a plantação e não na forma de nitrato (NO3), pois tem-se mostrado tóxico para o mirtilo, mas na forma de amónia (NH4), que é mais solúvel e rapidamente absorvido pelas plantas.

Escolha da Planta:
A escolha da cultivar deve ser feita consoante o tipo de solo e clima a que temos acesso. No caso concreto de Sever do Vouga, as cultivares mais utilizadas para o clima da região são: ‘Duke’, ‘Bluecrop’, ‘O’Neil’, ‘Goldtraube’. Plantas de alta qualidade, saudáveis, vigorosas, livres de vírus e com um sistema radicular já bem desenvolvido devem ser escolhidas para a plantação, porque assim estão mais resistentes a situações de stress. Deve-se optar por viveiros que forneçam plantas com garantias de sanidade.

Época de Plantação:
A época do ano para plantação depende das condições do local onde a parcela está localizada. Nas regiões de clima temperado, o começo do Inverno é o período ideal para a plantação. Logo após à queda das folhas e enquanto as raízes ainda estão activas. As chuvas invernais que eventualmente poderão cair neste período ajudarão a uma melhor adaptação do sistema radicular ao novo meio e estabelecimento das plantas. Nas regiões onde os Invernos são severos, com temperaturas esperadas abaixo dos -8ºC, e com probabilidades de congelamento do solo, deve-se esperar pela Primavera para efectuar a plantação. Nessa altura, deve-se regar bem o solo e retirar as ervas daninhas que vão competir com as plantas de mirtilo. Antes de colocar as plantas no solo deve-se verificar se as suas raízes estão húmidas e saudáveis, e embebê-las em água se necessário.

Plantação:
Em princípio, a plantação realiza-se para um longo período (25 a 30 anos), salvo no caso de renovação de cultivares, pelo que a sua boa instalação é importante. Devem-se abrir covas com dimensões de 30 x 30 x 30 cm, em linha recta ou com armação de camalhões, como já mencionado anteriormente. As plantas não devem ser muito enterradas (deve ser mantido o espaço entre sistema radicular e caule conforme foram compradas) e quando tapado o buraco deve-se aconchegar a terra em redor pressionando um pouco e regar bem de modo a que a água atinja todo o sistema radicular. No primeiro ano, aconselha-se remover os botões florais para que a planta dispense toda a sua energia no crescimento das raízes. Podem necessitar de uma poda mais intensa para dar balanço à planta na proporção entre o sistema radicular e a parte aérea. Nos solos pobres em matéria orgânica, a adição de turfa ajuda à instalação da planta. Adicionar 25L de turfa por cada planta provou ter influência positiva no crescimento e na produção (a turfa é ácida, tem capacidade de reter água e pode contribuir para melhorar a estrutura do solo). Se a plantação for feita no Outono, as plantas devem ser inspeccionadas durante o Inverno para garantir que as chuvas não as levantam do solo nem o vento as faça tombar.

Compassos:
As distâncias entre-linhas devem variar entre 2 a 2,5 m e 1 a 1,5 m entre plantas, pois as suas raízes desenvolvem-se num diâmetro de 1,5 metros. Estas medidas podem variar consoante o tipo de topografia, o tipo de terreno, a pluviosidade e o tipo de maquinaria que se utiliza na manutenção da cultura.

Fertilização:
Os macronutrientes principais, Azoto (N), Fósforo (P) e Potássio (K) são necessários regularmente na fertilização do mirtilo, normalmente uma vez por ano, ou duas em solos minerais com muita incidência de chuvas na altura do crescimento da planta.

Rega:
O mirtilo é sensível à falta de água, bem como ao excesso. O desenvolvimento muito superficial do seu sistema radicular e as suas características morfológicas explicam esta particularidade. Um período seco de 8 a 15 dias em plena fase de formação do fruto pode pôr em causa o rendimento da plantação. A recomendação geral é que cada planta deveria receber cerca de 38 mm de água por semana. No entanto, o volume de água varia de acordo com o tipo de solo, quantidade de matéria orgânica que possui e idade das plantas. O sistema de rega gota-a-gota é o mais utilizado e também o mais económico, direccionando o abastecimento de água directamente para as raízes.

Poda:
A importância da poda não deve ser subestimada se pretende manter rendimentos estáveis e um bom calibre dos mirtilos ano após ano durante os 25 ou 30 anos de exploração destes arbustos. Uma poda leve pode ser necessária quando as plantas são jovens, mas a sua intensidade aumenta com a maturação da planta. A poda consiste na eliminação de ramos de modo a equilibrar a parte aérea da planta, com o desenvolvimento das raízes e a produção de frutos. Uma grande quantidade de ramos resultará em grande produção de frutos, mas de qualidade inferior. A poda tem também como objectivo a abertura do centro da planta. Assim, na poda deve-se:

  • Eliminar os ramos baixos, mortos, doentes e partidos;
  • Eliminar os ramos muito velhos, tendo como objectivo o aumento de luminosidade e de arejamento no interior da planta.

A altura da poda pode afectar a altura da floração na primavera seguinte